quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Intermitente

 

O limiar intermitente entre o ar que entra, oxigena o corpo e o sopro de partir. Um intermitente interminável. O simples pulsar que para. O parar por um segundo. O estar e não estar. O ficar e ir. O gritar e falar baixinho. A criatura que parte sem dizer nada. O nada que se transforma, transmuta, transcende, pula baixinho e canta. Um passarinho que bebe água, aninha-se, voa e revoa. Algumas palavras soltas que organizam-se num papel em branco, o relato do facto. O facto que já aconteceu e vai acontecer intermitentemente, até o fim do pensamento. A criatura que sobrevive. A criação que  transforma-se e se’cria.

sexta-feira, 26 de março de 2021

Ensaio sobre a Vida

 O que nos resta dessa Vida? O que vamos fazer com este monte de partículas que nos abarca? Quanto tempo ainda temos aqui nesta realidade? 


"O motivo da mudança vibracional não é outro senão fazer a humanidade perceber que a Vida é muito mais que dor e sofrimento"


Muito mais que sofrimento e dor. 


A Vida precisa ser mais. 


Bem +

 

Tem que ser! 


Resumir em sofrimento e dor para mim dói de mais. Não quero acreditar nisso e bem menos na morte como um fim. 


Vida eterna enquanto existir memória, razão e emoção.


Eternidade!


Com emoção a vida parece mais leve. 


Não achas? 


Tudo indica que estamos numa passagem pela terceira dimensão. E se olhassemos a Vida como um mochinho com três pés (3D)? 4 pés? Bancos com 5 pés ou pilares. Li em algum lugar na rede sobre a sexta dimensão. Falam em oitava, nona, décima, décima primeira, décima segunda, décima terceira, décima sétima e quinquagésima  dimensão (PSol). 



Piração é na enésima dimensão com os infinitos possíveis. 


Viver no infinito!


Dimensionar a palavra Vida 3D como um tripé, com três pilares ou palavras.


Pés na realidade agora.


Se pensarmos a Vida como um banco de três pés e colocarmos nomes nos pés, quais nomes teriam os pés do banco chamado Vida?


Espero que tu não escrevas dois terços das palavras que definem a Vida usando aquelas duas citadas anteriormente 

(dor e sofrimento). 


Espero que não!


Eu pensando aqui com meus botões resumo momentaneamente assim:


Vida= Eternidade + amor + água. 


E pronto!


Eis ai uma baita definição de Vida. 


Não sei muito sobre a Vida, entretanto, tudo indica que, se ainda estou vivo, que seja para aprender +. 


E que assim seja!

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Como assim?



Entre morros e vento norte que norteiam e criam histórias que recriam a nossa realidade, surgem em nossa época, construções de um mundo oco, vazio e tão superficial que pode ser desconstruído na primeira ventania. Movido por textos falaciosos, retóricas românticas, aventureiras, Clarices e tomates, velhos e novos, outrossim, atuais; Sim! Eis que surge a revolta. No absurdo de dizer nada e tudo ao mesmo tempo, comunicar o atual com frases bem estruturadas, palavras pomposas, elegantes e bonitinhas – talvez – trago a tona, uma séria irritabilidade com o fato de que a realidade seja um construto social. Ao pensar na Nova Esquerda que criou uma “subcultura acadêmica auto-perpetuante que tipicamente ignora críticas racionais de fora”, me remete ao caso Sokal.
No artigo publicado na edição de Verão/Outono de 1996 (anexo 2) no jornal pós-moderno Social Text, intitulado “Transgredindo as Fronteiras: Rumo a uma Hermenêutica Transformativa da Gravidade Quântica”, um artigo com 109 notas de rodapé q combinam termos acadêmicos com retórica sociopolítica (doze páginas com referências bibliográficas), propõe que a gravidade quântica tem implicações políticas progressivas, e que o campo morfogenético é uma teoria inovadora da gravidade quântica. O notável professor de Física da Universidade de Nova Iorque, Alan Sokal, declarou que “está tornando crescentemente aparente que a realidade física é fundamentalmente “uma construção social e lingüística”. Afirmou também que, porque a pesquisa científica é “inerentemente carregada de teorias e autorreferencial”, ela “não pode afirmar um status epistemológico privilegiado com narrativas contra-hegemônicas emanadas de comunidades dissidentes ou marginalizadas” e que, portanto, uma “ciência libertadora” fornece poderoso suporte intelectual para o projeto político progressivo.
O artigo foi uma farsa criada, de acordo com Sokal, para ver se realmente “um jornal bastante renomado de estudos culturais publicaria um artigo sem sentido algum apenas se a sua introdução soasse como boa, testando, também, os preconceitos ideológicos dos editores”.  Sokal afirmou que se os editores fossem intelectualmente competentes, teriam reconhecido logo no primeiro parágrafo que a tese era, na verdade, uma paródia. O físico disse q ele foi “ convencido de que havia um declínio aparente nos graus de rigor científico em certos setores de ciências humanas acadêmicas nos Estados Unidos”. O hoax ou a farsa, foi a sua forma de chamar atenção para isso. Além de tudo isso, veja algumas palavras ditas pelo mesmo:
“ Através deste artigo, emprego conceitos matemáticos e científicos de maneiras que poucos cientistas e matemáticos poderiam levar a sério. Por exemplo, eu sugiro que o “campo morfogenético” –uma ideia bizarra da Nova Era que surgiu com Rupert Sheldrake – constitiu uma vanguarda para a teoria da gravidade quântica. Essa conexão é invenção pura, mesmo que Sheldrake não faça tais alegações. Eu afirmo que as especulações psicanalíticas de Lacan foram confirmadas por um trabalho recente no campo da teoria quântica. Até mesmo leitores leigos reconheceriam  que o que eu falei não faz sentido algum. Em suma, eu escrevi intencionalmente esse artigo de forma que qualquer físico ou matemático competente iria perceber que era besteira. Evidentemente, os editores do Social Text se sentiram confortáveis pela publicação de um artigo de física quântica sem consultar ninguém que conhecesse o assunto.”
Acima de tudo, no entanto, a farsa de Sokal demonstra como estamos dispostos a sermos enganados por assuntos que acreditamos firmemente. Temos mais tendências de sermos críticos em relação a artigos que atacam a nossa posição, mas sucumbimos aqueles que a apóiam. Há um termo específico para isso, viés de confirmação, e atinge tanto os cientistas sociais e de humanidades quanto os de exatas e da natureza.


(Anexo 1) http://claudemirpereira.com.br/2015/03/uma-rara-e-emocionante-experiencia-em-walachai-por-jorge-cunha/#ixzz3iyuJn9GY

(Anexo 2) http://www.physics.nyu.edu/sokal/transgress_v2_noafterword.pdf


            

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Crônica de Fernando Sabino.

A arte brasileira da conversa não é de fácil aprendizado. Como toda arte, exige antes de mais nada uma verdadeira vocação. E essa vocação se aprimora ao longo do caminho que vai da inocência à experiência. Como em toda arte. Para princípio de conversa, distinga-se: quando falo em conversa, não estou me referindo à lábia, à astúcia, à solércia do brasileiro no passar a bicaria e vender o seu peixe. Falo precisamente no bate-papo, erigido numa das mais requintadas instituições nacionais. Mas por que arte brasileira? Os outros povos acaso não batem papo?
A própria expressão, brasileiríssima, corresponde em inglês exatamente ao verbo “to chat”, na acepção que lhe dá o dicionário: “to converse in an easy or gossipy manner; talk familiarly”. Até os ingleses, meu Deus, os ingleses têm também o seu papo: um deles, na mesa do bar, olha para fora e diz que vai chover; meia hora depois outro diz que não vai chover; meia hora depois o terceiro se retira dizendo que não gosta de discussão. A falta de graça desta velha anedota não está em ser velha, mas na finalidade útil que fez michar o papo. Este não deve ter finalidade alguma, senão a de matar o tempo da melhor maneira possível. É coisa de latino em geral e de brasileiro em particular: fazer da conversa não um meio, mas um fim em si mesmo. Se não me engano, essa é a distância que separa a ciência da arte.
No papo bem batido, a discussão não passa de uma motivação, sem intuito de convencer ninguém, nem de provar que se tem razão. Os que nela se envolvem devem estar sempre prontos a reconhecer, no íntimo, que poderiam muito bem passar a defender o ponto de vista oposto, desde que os que o defendem fizessem o mesmo. Os temas devem ser de uma apaixonante gratuidade, a ponto de permitir que, no desenrolar da conversa, de súbito ninguém mais saiba o que se está discutindo. Mesmo nas eternas discussões sobre mulher, religião ou futebol, para que se constituam em bate-papo, longas digressões hão de ser admitidas, desde que pertinentes. Esta última observação, aliás, é pertinente ela própria, já que falei em futebol, quando se trata de papo acalorado como o que batiam aqueles dois amigos, parados numa esquina, violando o silêncio da rua adormecida:
— Se o último jogo do Campeonato fosse do Botafogo contra o Fluminense…
— Ora, Alfredo, pra cima de mim! Ia ser de goleada.
— Você não me deixou terminar, Dagoberto. Eu queria dizer que o Botafogo…
— Que Botafogo que nada! Com o Vasco diziam a mesma coisa…
— Dagoberto, você não me deixa falar!
— … e no entanto ele acabou entrando bem. Essa não, Alfredo.
— Não estou falando no Vasco. Eu disse que o Botafogo…
— E no ano passado, que foi que o Botafogo fez? Me diga só o que ele fez.
— Você não me deixa falar, Dagoberto.
— Desde o princípio todo mundo sabia que o Fluminense…
— Você não me deixa falar!
A essa altura abriu-se uma janela no edifício da esquina e surgiu um indivíduo estremunhado:
— Ô Dagoberto! Deixa o Alfredo falar!
A boa conversa implica sempre em deixar o Alfredo falar. Além disso a discussão, ainda que gratuita, pode exaurir o papo diante de uma impossível opção, como a de saber qual é o melhor, Tolstoi ou Dostoievski, Corcel ou Opala, Caetano ou Chico. A menos que ocorra ao discutidor o recurso daquele outro, hábil em conduzir o papo, que teve de se calar quando, no melhor de sua argumentação sobre energia atômica, soube que estava discutindo com um professor de física nuclear:
— Você é presidencialista ou parlamentarista?
— Presidencialista.
— Pois eu sou parlamentarista.
E recomeçaram a discutir.
Mais ardente praticante do que estes, só mesmo o que um dia se intrometeu na nossa roda, interrompendo animadíssima conversa:
— Posso dar minha opinião?
Todos se calaram para ouvi-lo. E ele, muito sério:
— Qual é o assunto?
Mas percebo que me perdi em discussões, polêmicas, argumentos e desaguisados, afastando-me do verdadeiro espírito que deve presidir o culto dessa arte. De preferência, que ela seja praticada apenas a dois — como diz o mineiro, conversa de mais de dois é comício. E entre estes dois, bom será que reine amável concordância, para que, alternadamente ouvindo e falando, possam ambos conjugar o delicioso verbo discretear.

quinta-feira, 31 de março de 2011

DIVAGAÇÕES

Vindas do ócio criativo, vulgo: OCA DO ÍNDIO





Com...

http://mallarosa.blogspot.com/2011/03/faz-tempo-que-nao-venho-aqui.html













Nessas idas e vindas de Maria Tereza, vulgo TTzinha, que forma e reforma suas voltas, como aférese de ainda ou indas, retorna a sua escrita latejante, com um sopro de vento anunciando mais uma estação. A pomba enamorada volta ao ninho, pinta paredes na concretude de uma espreita atalaiada de um redundante vigiar de pensamentos relativos. Nesse relativismo tangenciado em absurdos esquisofrênicos dessa contemporaneidade de idéias, TT simplesmente abanca-se numa admiração de um largo lago profundo, escuro iluminado por talvez um não-sei-o-quê. Como diz aquele amarelo bem mentiroso de Suassuna, “só sei que foi assim”. O lago era escuro iluminado.

E o contemplar continua... Com sonhos possíveis de ver estrelas durante o dia, com a epifania de criar águas não molhadas emergidas na imersão de seu próprio corpo, de aclamar aos amores suntuosos e faustuosos de algo explendoroso que é o simples contemplar.

O contemplar, meticuloso, transcendental e metamórfico de um simples fechar e abrir das pálpebras da imaginação que, cria, recria e transfere para mim, o inóbvio de um novo dia. E a despedida é inevitável... Com direito a um ponto final (.)



SANTA MARIA no último dia de março, fechando o verão de 2011.

UMA MÚSICA QUE SEJA...


...como os mais belos harmônicos da natureza. Uma música que seja como o som do vento na cordoalha dos navios, aumentando gradativamente de tom até atingir aquele em que se cria uma reta ascendente para o infinito. Uma música que seja como o som do vento numa enorme harpa plantada no deserto. Uma música que seja como a nota lancinante deixada no ar por um pássaro que morre. Uma música que seja como o som dos altos ramos das grandes árvores vergadas pelos temporais. Uma música que seja como o ponto de reunião de muitas vozes em busca de uma harmonia nova. Uma música que como o vôo de uma gaivota numa aurora de novos sons...
 
 
 
 VINÍCIUS DE MORAES 

terça-feira, 29 de março de 2011

UM CANTO

No limiar intermitente entre o ar que entra e oxigena o corpo e o sopro de partir. Um intermitente interminável. O simples pulsar que para. O parar por um segundo. O estar e não estar. O ficar e ir. O gritar e falar baixinho. A criatura que parte sem dizer nada. O nada que se transforma, transmuta, revigora-se, transplanta, transcende, pula baixinho e canta.

Um passarinho que bebe água, aninha-se, voa e revoa. Umas palavras soltas que se organizam e imprimem num papel em branco o relato do fato. O fato que já aconteceu, acontece e vai acontecer ininterruptamente até o fim do pensamento. A criatura que sobrevive. A criação que se transforma e se cria. O criador que não domina mais o monstro que se fez. O passarinho que parou de voar.

Numa continuidade feroz, o pássaro vira monstro, criatura, objeto, fato, feiura e beleza. A monstruosidade de não estar, faz e fez dele um ser instável, atemporal. Um ser construído e visto por todos com cores, barulho e maciez. Um objeto palpável e complexo por simplesmente não estar mais ali, visto a olho nu. A nudez desses olhos, se veste com panos e peles, feito grosseiramente por mãos humanas de espécie semelhante. O semelhar da pele, iguala-se a um só. Um único Ser. Um só instante. O último instante da vida, menor que o minuto e o segundo. Um pouco antes da chegada da morte. Um pouco depois da última respiração. Um cantinho de instante preso num momento que não sai da cabeça, da alma, do espirito, da réstia de luz que fez e faz o milagre acontecer. E o passarinho continua a aninhar-se, voar e revoar.

A partitura de uma nota acompanha uma música sem ritmo. Uma nota menor que o instante do último conjunto de átomos que compõe o resto de ar saído dos pulmões. O aninhar, voar, revoar e todos os outros fatos vem numa velocidade nunca vista. Vão todos a uma única direção, o canto. O cantinho antes do fim e depois da chegada. Unem-se sem ritmo e numa nota só. A nota de maior valor. A nota que não tem preço, pois se tivesse, garanto que todos os seres se juntariam para arrecadar tal importância e comprar e se apropiar e dominar e controlar e modificar a ponto de não pontuar-se num final. Mas a nota não tem preço. A nota compõe a música. A música não tem ritmo e leva tudo a um único canto. O cantinho antes do fim e depois da chegada. Um canto onde toda a passarinhada canta, aninha-se, voa e revoa. Um canto onde o relógio da voltas e voltas trazendo tudo e todos a tona. O canto da partida.

O Clarear predomina e se estabelece. Preenche todo o espaço. O espaço vira tudo. O tudo vira caos e se organiza momento a momento, segundo a segundo, terceiro a terceiro, o quarto...O quarto que repousa, passa, amanhece e adormece. O quinto, o sexto e o sétimo se contemplam dando origem ao oitavo e o nono. A nona grita chamando seu velho para ir dormir. A nona sonha com o neto. O neto cria a nona e tudo se mistura formando um só. A origem. A raiz que já não se importa se é quadrada, quinta, sexta ou enésima, pois é a raiz de um e tudo se torna um só, num só instante, num único lugar, num tempo e espaço localizado no canto. Bem no cantinho. Antes do fim e depois da chegada. No canto está eu, cantando um canto de uma nota só. Um cantarolar ininterrupto, com um La-ra-la-lá duma artista chamada Lara, que nem lá, nem aqui, nunca, nem um outro, só eu ouviu cantar. Bem no cantinho do último canto de uma nota só, ouve-se um Lá. Um Lá gritante, pulsante, revigorante e visceral. Lá naquele canto, no final da nota, no termino do ínfimo suspiro, onde tudo termina.

No término da palavra gritada no canto e em si mesma, sem qualquer similaridade com o objeto que representa, surge um símbolo. De caráter icônico ou analógico o símbolo se resolve num ícone. Ícone subliminarmente escondido numa derivada segunda da função Y= Z²-2W²-Vα Vα. A combinação particular do primeiro membro é comparada à do segundo, traduzindo o resultado, por semelhança, a relação entre o objeto gritado. Nesse código ainda não piado por nenhuma Bia, surge um subespaço sígnico interdependente atraído por algum sorvedouro icônico. Num sei-lá-o-quê de algum pensamento relativista, calcula-se esse ícone em intra-semias (subcódigos compondo um código maior).

Num repertório de ossatura intersemiótica, surge um latejo combinatório que favorece a criação, a arte. A arte de estar e não estar, de fazer e não fazer, de ir e não ir, de gritar e falar baixinho, de ser e não ser, de parar tudo e sair correndo ou de simplesmente viver.

Mas qual é a latitude que ressoa o sinificado de tudo isso?

O pulsar de minha víveda alma que canta num último suspiro um canto de uma nota só re-atua em palavras-ícones significados que não vou cantar e nem contar, é segredo.

 
 
JC
 
 
SANTA MARIA- 29-03-11